pornortografia
poemásculos
feminílicos
poeminos
machocados
femilíricas
machopéias
masculares
feminondas
poemeus
nos poeteus
machoetas
nas poêmeas
escrevia
por ti eu escrevi todos os dias
desenhando cada letra com amor
teu corpo era um caderno fechado
que eu abria e rabiscava lentamente
até arrepiar os pêlos das frases
até ouvir tu pedir que rasurasse
com uma urgência quase criminosa
as folhas virgens que não mais existiam
feminílicos
poeminos
machocados
femilíricas
machopéias
masculares
feminondas
poemeus
nos poeteus
machoetas
nas poêmeas
escrevia
por ti eu escrevi todos os dias
desenhando cada letra com amor
teu corpo era um caderno fechado
que eu abria e rabiscava lentamente
até arrepiar os pêlos das frases
até ouvir tu pedir que rasurasse
com uma urgência quase criminosa
as folhas virgens que não mais existiam
desata-me
tuas costas descendo
davam nuns morros
lindos de escalar
as longas estradas
das tuas coxas
davam falta de ar
os teus olhos eram
duas luas negras
numa manhã de maio
tua nuca nua
exalava fuligens
vulcânicas
e teus seios
endureciam em minhas
mãos atadas
amor
sentíamos que a validade do amor
era indeterminada
um estoque infinito de abraços e beijos
tomava conta da casa inteira
quarto sala cozinha banheiro corredor
e amávamos e amávamos e amávamos
mas um dia sem explicação alguma
(impossível encontrar uma na despensa)
o amor começou a sumir da casa
(deixou rastros mas nenhum bilhete)
foi nos deixando
vazios pela sala
sozinhos no banheiro
com olhares tristes
(olhares tristes emolduram-se para sempre)
quanto mais tentávamos reencher
os vasilhames dos corações
com algo que não mais existia
(uma mímica incompreensível)
mais desamávamos e desamávamos
dois corpos sobre a cama
gozada
sentíamos que a validade do amor
era indeterminada
um estoque infinito de abraços e beijos
tomava conta da casa inteira
quarto sala cozinha banheiro corredor
e amávamos e amávamos e amávamos
mas um dia sem explicação alguma
(impossível encontrar uma na despensa)
o amor começou a sumir da casa
(deixou rastros mas nenhum bilhete)
foi nos deixando
vazios pela sala
sozinhos no banheiro
com olhares tristes
(olhares tristes emolduram-se para sempre)
quanto mais tentávamos reencher
os vasilhames dos corações
com algo que não mais existia
(uma mímica incompreensível)
mais desamávamos e desamávamos
dois corpos sobre a cama
gozada
sem nada
sem nenhuma poesia ela me dizia
pra que isso?
se os cem sonetos de amor de neruda
já seduziram e vestiram minhas fantasias
e os homens despiram minhas ilusões
e rrrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaa
sem nenhuma poesia ela repetia
o melhor amor se faz sem nada
como mendigos
no colchão da madrugada
sem nenhuma poesia ela me dizia
pra que isso?
se os cem sonetos de amor de neruda
já seduziram e vestiram minhas fantasias
e os homens despiram minhas ilusões
e rrrrrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaa
sem nenhuma poesia ela repetia
o melhor amor se faz sem nada
como mendigos
no colchão da madrugada
sequestros
no tocante a ti
quando acabou
terminantemente
depois tu veio
e falou
- o fim só não
virou recomeço
quando acertaste
meu rim
engraçado
nos conhecemos
tratando do fígado
lembras?
extraterrestres invadiram a clínica
queriam te raptar
- fui salvar a guriazinha
no tocante a ti
quando acabou
terminantemente
depois tu veio
e falou
- o fim só não
virou recomeço
quando acertaste
meu rim
engraçado
nos conhecemos
tratando do fígado
lembras?
extraterrestres invadiram a clínica
queriam te raptar
- fui salvar a guriazinha
orla
pinheiros publicitários partilhados
na cobiça da orla
os salva-vidas passeiam marenhos
olho no tédio assassino das ondas
no lençol da sua órbita
ela exorbita
pinheiros publicitários partilhados
na cobiça da orla
os salva-vidas passeiam marenhos
olho no tédio assassino das ondas
no lençol da sua órbita
ela exorbita
mar
é
cactus
tua ausência faz tanta falta
quanto água no deserto
mas tem tanto refil por perto
refis alimentam meu corpo
mas não há preenchimento
para um cactus vazio
é
cactus
tua ausência faz tanta falta
quanto água no deserto
mas tem tanto refil por perto
refis alimentam meu corpo
mas não há preenchimento
para um cactus vazio
pegada
teus seios mornos
sei-os de cor e salpicados
tuas bocas abertas
entro como dono
tua pose entregue
é uma ordem
tomo posse
mãos ao alto
isto é uma lânguida curra
costura
as mulheres só vão embora
quando têm certeza de que vamos lembrá-las
muito além do corte e costura de um texto
ar
ela gostava de ficar quase a morrer
de falta de ar
e a gritar e a bater e a desejar
tu vai me matar
mil novecentos e tal
perseguir os olhos agudos do carteiro
indo nem lerdo nem ligeiro
entregar-me-te em mãos
num outro século
linhas
os olhos negros dessa mulher
quando miram quem
e o que
exatamente
ela quer
dedos
dedos abrindo a mata cerrada de cabelos
dedos arrepiando teus pêlos
dédalos de dedos e cabelos se engalfinhando
o registro digital na filigrana dos fios
dedos denunciando a nuca sob os cabelos
cabelos ao meio das costas
naquele ponto exato em que feito mãos
dedos não envolvem apenas melenas
mas a helenice dos seios
olhares
você é toda par de olhos
veio daquele jeito
de quem diz ao que veio
e soletrou tu tá triste
amarrotado e feio
me fez até vomitar o belo jantar
saí dali que nem caim
mas que lugar me esconde de mim?
poxa
tuas coxas merecem poxas
porra são tão duas
sevindo geografia e pastagem
escondem vales cachoeiras
sete quedas de ânsias
tuas coxas me engolem
fazem por merecer meu pólen
caroço
o zoológico é uma biblioteca
a biblioteca é alojamento de fantasmas
os fantasmas são atores de cinema
o cinema é prestidigitação
a ilusão é real
o real é invisível
ao olho
cru
a lua nova é um pedaço de unha
unha é proteína pura
pureza é nome de margarina
- já assistiu ao último tango em paris?
a paisagem é ilusão de ótica
ótica é um ponto de vista cego
cegos veem por tato e cheiro
você tem casca
bagaço
mucosa de manga
tudo bom de comer
a gente é bicho
esfinge
numa perspectiva egípcia
há uma gata siamesa
deitada num tapete persa
ou uma cobra se arrastando
pela beira do nilo
energia vital
sumiste
numa nota
um dó
despareceste
deixaste
o pano cair
sorriste
meio triste
e meio
partiste
num bonde
pra onde
te foste
nunca com tanta
energia eólica
amém
queria fazer um poema
pornoescatológico
que terminasse num amém
depois iria me confessar ao padre
só pra ouvir um porém
dos infernos
tereza
a única mulher que me comoveu
foi madre tereza de calcutá
as outras ou são madres
ou são só terezas
ou alto lá
de viver
e viver é sofrer
e sofrer é gozar
e gozar é morrer
um pouquinho
morrendo
gozando
sofrendo
vivemos
o que ainda é só
vira
teu lado blue jeans comestível
é o melhor
o pior vamos combinar
é melhor ignorar
quero ver o lado bom da coisa
vamo vira
doce
ácido
leite condensado por cima
tatu
tá tu com falta de eu
que me precisa
a tua mão alisa a perna
e olha bem meu bem
a perna é minha
e quando tá tu assim
ai de mim ai de mim
tá tu bem tu
cheia de esses e xises
tuas mãos suam
os olhos comeram luas
a voz ruge e arranha
o peito é um vulcão
tuas cadeiras rodopiam
teu ventre flamba
tuas pernas bambas
tua boca louca
tá tu com falta de eu
tô dentro
o peito é um vulcão
tuas cadeiras rodopiam
teu ventre flamba
tuas pernas bambas
tua boca louca
tá tu com falta de eu
tô dentro
pra ti
meu sentimento corcunda
circunda a ausência do teu corpo
gotejo te escrevendo
te esculpo imaginando
te mastigo lanchando
errata errática
quando saio de casa
sei se estou do lado avesso ou não
e invisível
até encontrar você despida de pudores
quando acordo querendo morrer
esqueço ao te ver morta viva
do meu lado
quando chega esta noite
que desaba sobre mim
tu surges no céu
estrela vadia
piscando sem vergonha
a outra
a mulher só perde a virgindade
ao assumir que tem outra por dentro
e suplicar castigo por sua inocência
undelivered
mandei um milhão de e-mails pra ti
eles voltaram dizendo
undelivered mail returned to sender
undelivered mail returned to sender
undelivered mail returned to sender
undelivered mail returned to sender
que falta de educação
tua caixa de entrada é tão fria
quanto o teu fígado ou o teu rim
censura
a melhor bebida vem da uva
o melhor beijo vem da boca
mas tem umas frutas e lábios
impróprios para abstêmios
u
enfiei o i no teu u
tu soltaste um ai
mesmo assim sussurraste
vai
ascunho
dei a ela um livro de páginas em branco
em retribuição ela escreveu uma história
em que sou um voyeur cego
assistindo a um filme com sintaxe pornô
m&m
quanto mais tu lê
martha medeiros
mais tenho vontade
de te comer
martha medeiros
não é afrodisíaca
é só um m&m
da literatura
mas tu te gosta toda
nas frases dela
e eu me acabo
comendo as duas
haicais
entre o mar e o rochedo
fico com o musgo
do teu brinquedo
de alma estropiada
tu não titubeaste
te enfiaste
haicais
entre o mar e o rochedo
fico com o musgo
do teu brinquedo
de alma estropiada
tu não titubeaste
te enfiaste
a teus pés
que sina
me espreitando na esquina
aceso
faiscando
vidrado
o olhar de cristina
tá fissurado
abro o olho
não adianta
ana cristina césar
repousa sua deprê
no bidê
nós três assim
vai dar em poema
petit comité
paz é amor
debate é flerte
polêmica é o bom e velho sexo
guerra é sexo dos impotentes:
querem impor o poder imperial
de suas próteses penianas
Nenhum comentário:
Postar um comentário